quinta-feira, 14 de julho de 2011

Referências: o patriarca e a mulher fatal


Continuando a série de referências que guiaram a composição dos personagens do filme DIA DE PRETO, chegamos ao núcleo familiar envolvido no sumiço do sino sagrado, um dos principais elementos da trama. O patriarca vivido por Paulo Abreu é um senhor muito rico e poderoso, dono do shopping center e da relíquia. Enganado pela própria filha, uma mulher fatal e traiçoeira, o velho não hesita em ameaçar o Preto pelo roubo. Inspirado em personagens imponentes como o Victor Ziegler vivido por Sydney Pollack em “De Olhos Bem Fechados” (na montagem acima com Paulo), e pelo Cowboy misterioso interpretado por Monty Montgomery em “Cidade dos Sonhos” (de David Lynch), o Patrão conjuga a altivez do personagem de Kubrick, numa aparição tão fantasmagórica como a do sinistro personagem lynchiano.
Para a mulher fatal vivida por Vanessa Galvão, a grande referência foi a Sra. Smith de Angelina Jolie no filme de Doug Liman (montagem acima). Além desse ícone da sedução cinematográfica, outras atrizes também serviram de inspiração para o figurino e as expressões enigmáticas da personagem: Rebecca Romiyn (Laure/Lily) em “Femme Fatale”, de Brian De Palma, e Laura Harring (Rita), também no elenco de “Cidade dos Sonhos”. Mulheres capazes de virar a cabeça de homens (e de outras mulheres) com o charme sexy e malicioso típico das grande destruidoras de lares e corações na tela grande. No DIA DE PRETO, Vanessa Galvão deixa o personagem de Marcelo Batista no maior desespero, literalmente de calça arriada, provando ao espectador que, além de linda, a personagem também é uma verdadeira vaca.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

Referências: o vilão e sua gangue


No workshop de apresentação do projeto ao elenco, realizado um pouco antes do início das gravações, os Diretores Marcial Renato, Daniel Mattos e Marcos Felipe selecionaram diversas cenas dos filmes que inspiraram o roteiro do DIA DE PRETO, e serviram como fonte para a construção dos personagens. Para os vilões da trama, foram apresentados trechos de Matrix (dos irmãos Wachowski), Kill Bill (de Quentin Tarantino) e, principalmente, os faroestes de Sergio Leone. Na montagem acima, o personagem de Guilherme Almeida aparece ao lado do sinistro Olhos de Anjo, vivido por Lee Van Cleef em “Três Homens em Conflito”, a maior referência para o vilão do filme.
Já o visual dos Capangas foi abertamente inspirado pela obra-prima de Andy e Larry (agora Lana) Wachowski. Para o trio de realizadores, o “look” soturno da ficção científica estrelada por Keanu Reeves cairia como uma luva para caracterizar uma gangue extremamente improvável em terras tupiniquins, exageradamente “fake” com seus figurinos completamente negros. Na foto acima, o personagem de Heráclito Junior aparece ao lado de Neo, numa composição propositadamente extravagante que assume sem culpas uma paródia divertida desse estereótipo cinematográfico.
Para as vilãs do grupo, a Elle Driver de Kill Bill foi a referência a ser perseguida. Conjugando beleza mortífera com uma expressão gélida e ameaçadora, a Cobra Californiana de Tarantino inspirou o figurino e o gestual das Capangas interpretadas por Naiara Hawaii e Andrea Cassali, que aparece na montagem acima ao lado da personagem de Daryl Hannah. A diferença, entretanto, é que a vilã caolha utiliza uma espada samurai contra suas vítimas, enquanto a assecla do DIA DE PRETO só precisa de um salto alto para surrar o protagonista do filme.

terça-feira, 12 de julho de 2011

As Referências para o Dia de Preto


Os personagens do filme DIA DE PRETO não têm nomes próprios. Em nenhum momento da trama, seus nomes são mencionados em qualquer diálogo. Partindo da lenda do primeiro escravo alforriado do Brasil (foto acima), os personagens são protótipos concebidos a partir de imagens arquetípicas, sínteses bem-humoradas de alguns dos estereótipos mais comuns: o malandro sagaz, o vilão calculista, o velho poderoso, o chefe durão, a mulher fatal etc.
A estrutura do roteiro bebe em muitas fontes. Estão lá o “eterno retorno” de Nietzshe, o inconsciente coletivo de Jung e a noção marxista de que a História se repete como farsa. Voltando à Poética de Aristóteles, a saga do Preto no filme oscila entre as desventuras do herói trágico e as aventuras do anti-herói cômico (na foto acima, o Preto sofre nas mãos do Chefe, interpretado por Ricardo Bonaverti), estimulando a imaginação do espectador através do drama e da graça.
Fruto de muitas referências cinematográficas, o Preto acaba sendo uma mistura do Soldado Witt (Jim Caviezel em Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick, na montagem acima com Marcelo Batista), do Paul Hackett (Griffin Dunne em Depois de Horas, de Martin Scorsese), do Marty McFly (Michael J Fox em de De Volta para o Futuro, de Robert Zemeckis), do Blondie (Clint Eastwood em Três Homens em Conflito, de Sergio Leone), do Renton (Ewan McGregor em Trainspotting, de Danny Boyle) e do Ferris Bueller (Matthew Broderick em Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes), entre outros. Filmes que inspiraram os ganchos do roteiro e a direção de arte, na fase de pré-produção, além de nortear a atuação do elenco, durante os workshops de preparação, ensaios e gravações.



segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Bolo e o Queijo

Os Diretores Marcos Felipe e Daniel Mattos (foto acima) se conheceram na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), na Praia Vermelha, no início do ano de 1994. Marcos Felipe, o Marquinho (ou Marquito), e Daniel Petrópolis (ou Patópolis) logo descobriram uma grande afinidade estética nas aulas com o cineasta Oswaldo Caldeira, com quem viriam a trabalhar na realização do longa-metragem Tiradentes (lançado em 1999), cujas filmagens aconteceram praticamente durante todo o período que passaram na faculdade.

O estágio inspirou Marcos e Daniel a realizarem um filme por conta própria. A ideia? Adaptar um conto do amigo Luis Fernando Lima de Brito, também aluno da ECO: “O Bolo e o Queijo”, uma fábula sobre o destino e o acaso, que tinha uma barata como protagonista. Acima, você confere uma montagem com imagens do curta, com os atores Ricardo Bonaverti e Raul Ferreira, que participam do elenco do longa-metragem DIA DE PRETO, e as crianças Juliana Bravin e Diego Larrea. Na época, Marcos Felipe trabalhava na Tec Cine, uma produtora de filmes publicitários do Rio de Janeiro, e praticamente garantiu a realização do projeto com o apoio da empresa e dos colegas.

Em 1998, as filmagens do curta tiveram início num sítio em Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro. Munidos de uma câmera 35mm e equipamentos da Tec Cine, pontas de negativo e uma equipe formada por amigos e profissionais do mercado publicitário, Marcos Felipe e Daniel Mattos davam o pontapé inicial na trajetória da produtora, ainda sem nome. Entre os voluntários, outro colega de faculdade, Marcial Renato, parceiro de Daniel em utopias publicitárias e filosofias de botequim ( na foto ao lado com o ator Ricardo Bonaverti).

A produção do curta se estenderia pelos anos seguintes. Após uma longa jornada de pós-produção, "O Bolo e o Queijo" estrearia na sala escura no ano de 2004, sendo exibido e premiado em diversos festivais no Brasil e no mundo. Durante esse período, a proposta de consolidar a atividade em uma sociedade formal ganhou força em longas e divertidas noites passadas num apartamento no Recreio. Junto com a DEMIAN, nascia o primeiro projeto a seis mãos, o roteiro do longa-metragem “Depois do Shopping”, que viria a se tornar o embrião do filme DIA DE PRETO.


Confira abaixo o trailer do curta:


domingo, 10 de julho de 2011

Brincadeira de Menina

Participante do elenco de apoio do filme DIA DE PRETO, a pequena Ravena Kulnig (foto acima) contava apenas seis anos em setembro de 2007, quando entrou em cena interpretando uma menina com um importante papel: marcar a permanência dos personagens e situações da trama ao longo dos séculos. Aparecendo em momentos distintos, no passado a criança brinca de soprar pétalas ao vento, caracterizada como uma sinhazinha do período colonial, de vestido e sombrinha. Já nos dias de hoje, a flor é substituída pelas bolhas de sabão, e a fazenda, pelo estacionamento do shopping.

Filha do Diretor Marcial Renato (com Ravena na foto ao lado) e da Diretora de Arte e Figurinista Karin Kulnig (foto acima), Ravena se saiu muito bem na sua estréia no set de filmagens, para orgulho dos pais corujas. Aguardando com paciência insuspeita para crianças da sua idade o momento de gravar, a pequena aprendiz de atriz atendeu com dedicação às orientações da direção, equilibrada em um 3T posicionado no alto de um canteiro, e reagiu com tranqüilidade às muitas repetições do plano exigidas pelo Diretor Marcos Felipe (fotos abaixo), que comandava o trabalho realizado no mês de setembro de 2007. Sem falar que as cenas tiveram de ser refilmadas em dois finais de semana diferentes, devido a um problema causado pela equipe de câmera.


Sonhando em seguir a carreira de atriz, Ravena aproveitava os intervalos das gravações brincando como toda menina da sua idade. No vídeo abaixo, capturado pelo celular da mãe, ela se diverte girando em círculos, enquanto a equipe de maquinaria preparava o set para a cena.

sábado, 9 de julho de 2011

Trinca de realizadores

Na indústria cinematográfica, existem casos bem-sucedidos de parcerias criativas, geralmente duplas, como a dos irmãos Coen e dos Wachowski, que costumam assinar em conjunto a direção de seus filmes. Um trio de realizadores, no entanto, é bem mais raro. Para Marcial Renato, Daniel Mattos e Marcos Felipe (montagem acima), que escreveram,cproduziram e dirigiram o longa-metragem DIA DE PRETO, a força do filme está justamente nessa sinergia: amigos de longa data, eles somaram competências - e dividiram custos - para viabilizar a produção sem um centavo de recursos públicos, caso raro no cinema brasileiro, tradicionalmente marcado pela dependência do Estado. Marcial, Daniel e Marcos também têm em comum o fato de serem, atualmente, servidores concursados da ANCINE - Agência Nacional do Cinema.

DIA DE PRETO conta a história do primeiro escravo alforriado no Brasil e do milagre da aparição da Virgem Maria no alto da Pedra do Galo, em Jacarepaguá, onde hoje está localizada a Igreja de Nossa Senhora da Penna, construída no século XVII. Trata-se de uma aventura fantástica, uma fábula moderna que combina elementos do cinema comercial de gêneros, revitalizando os clichês de ação, romance, comédia e suspense.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pós-produção e trilha musical

A pós-produção do filme DIA DE PRETO levou um pouco mais de três anos, de 2008 ao primeiro semestre de 2011. Captado em alta resolução, o filme foi totalmente finalizado em digital, numa Ilha de edição montada pela DEMIAN e tocada pelo Diretor Marcos Felipe, que também assina a mixagem e os efeitos visuais do longa, alguns em parceria com Ben Katz e a produtora Uma Turma. Na imagem acima, uma montagem com diferentes tipos de "look" para uma sequência externa, testes realizados ainda na pré-produção. Pela qualidade técnica e ajuste fino de som e imagem, os realizadores definiram que teriam o tempo que fosse necessário para entregar exatamente o filme idealizado.

A trilha musical, totalmente original, foi composta pela produtora carioca V12 Music. Através do contato com um dos atores do filme, Heráclito Junior, a V12 entrou no projeto, com ótimas referências: Denis Porto, compositor e ex-vocalista do Mr. Sombra (banda de surf music na década de 90) e atual produtor dos Raimundos; João Viana, compositor e baterista que acompanha músicos consagrados como o pai, o cantor Djavan; e Nado Zicker, compositor e ex-tecladista da banda de reggae Medusas Dreads. Com uma química perfeita, a trilha brinca com várias referências, como Ennio Morricone, Hans Zimmer, John Frusciante, The XX e Blue Oyster Cult, além de temas de séries como Twilight Zone, SWAT e o desenho animado japonês Groizer-X (Pirata do Espaço).

No video promocional abaixo, você pode conferir um pouco do resultado do trabalho de finalização de imagem e trilha musical do filme: