quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Figurino dos Capangas

Seguindo a mesma linha dark do Corno, chefe da gangue, os Capangas do DIA DE PRETO apresentam um visual propositadamente exagerado, como se formassem um grupo de supervilões. Calças apertadas, decotes generosos, óculos escuros e botas pesadas são algumas peças que serviram para compor o look dos personagens. Apesar de formarem um bando coeso, o figurino precisava indicar a personalidade de cada integrante: assim, um casal foi vestido de forma mais agressiva e descolada (Deivid Araújo e Naiara Hawaii, no centro da foto acima), e outro de forma mais sóbria e sofisticado (Heráclito Junior e Andrea Cassali).

Os testes de figurino foram realizados no próprio RIOSHOPPING, contando com os acervos pessoais da figurinista Karin Kulnig, da assistente de produção Adriana Gaspar e dos próprios atores. Até chegar ao resultado final, algumas composições foram experimentadas para aprovação dos diretores, como as da foto acima. No final do dia, o visual pré-escolhido (foto abaixo) já se aproximava muito do figurino definitivo, que ainda levaria algumas intervenções: o vestido de Andrea ganhou uma fenda ousada, ornamentada por um broche marcante; a blusa de Naiara foi substituída por um body de mangas compridas; Heráclito ganhou óculos escuros; e o visual de Deivid foi complementado por cordões e pingentes religiosos aparecendo por entre a camisa aberta, como um cafajeste latino.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Figurino do Corno

Guilherme Almeida vive o grande vilão no DIA DE PRETO. Sempre cercado de capangas, o personagem é um homem rico e poderoso, que está comprometido com a filha do Patrão, com quem tem negócios. Entre ele e seus objetivos, entretanto, está o Preto, amante de sua noiva e envolvido por ela no roubo de uma relíquia sagrada. Como um bom vilão de história em quadrinhos, o Corno da trama veste-se todo de negro (foto acima), assim como sua gangue do mal. Esse era o único briefing dos diretores para o visual do vilão, que deveria estar em compasso com o look de seus asseclas.

Para compor o personagem, os diretores contaram com o auxílio da figurinista Fernanda Fabrizzi, que fez as primeiras pesquisas e selecionou o casaco que Guilherme usa no filme. Posteriormente, a figurinista Karin Kulnig complementou o figurino com uma camisa de gola rolê (sugerida pelo diretor Marcos Felipe) e calça social, tudo na cor clássica dos homens maus. O detalhe final ficou por conta da bota, que apareceria com destaque num dos momentos do filme, identificando o Corno (foto acima). Quando Guilherme entrou em cena pela primeira vez, num plano no terraço, a peça ainda não estava escolhida, e nem era necessária (foto abaixo). Algum tempo depois, após mais uma colaboração de Marcos Felipe, o figurino de Guilherme estava completo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Figurino do ?

O personagem de Raul Ferreira no filme DIA DE PRETO habita uma toca subterrânea no shopping center, de onde só sai de madrugada, para aproveitar gratuitamente os produtos e serviços do estabelecimento enquanto as lojas estão fechadas. Ele aparece em duas cenas, com figurinos diferentes: no centro de estética do shopping, veste apenas um short azul-marinho, enquanto utiliza uma câmara de bronzeamento artificial (foto acima). Detalhe para os óculos de proteção contra raios ultra-violeta (foto abaixo), apropriados para essa máquina-símbolo da vaidade humana, cujo uso foi proibido no Brasil e em vários lugares do mundo cerca de um ano após as filmagens.

No próprio centro de estética, o estranho personagem consegue o roupão utilizado na cena seguinte, e entrega outro para o Preto, que está completamente encharcado após um mergulho involuntário numa banheira ofurô do mesmo estabelecimento. Atravessando galerias do shopping e o parque de diversões eletrônicas PlayToy, a dupla chega até a toca, vestida para momentos de relaxamento. Para compor o visual de Raul Ferreira e Marcelo Batista na cena, a figurinista Karin Kulnig recorreu apenas ao acervo da produtora, e o resultado você confere nas fotos abaixo:

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Figurino do Patrão

O personagem de Paulo Abreu é o manda-chuva da história contada no DIA DE PRETO. Dono de um restaurante no shopping center e da relíquia sagrada roubada por sua própria filha, o velho homem é o Patrão de todos que trabalham no estabelecimento, inclusive o Preto, motorista da família. Por isso, a roupa escolhida precisava dar conta dessa elegância ao mesmo tempo discreta, imponente e respeitável. Para compor o visual do personagem, a figurinista Karin Kulnig recorreu mais uma vez ao apoio da Pina’s, loja de roupas masculinas que já tinha vestido o Chefe de Segurança. Durante a pré-produção, Karin e a assistente de produção Adriana Gaspar produziram na loja algumas variações possíveis, seguindo o briefing dos diretores (montagem acima).

Dentre as combinações propostas, um fator foi decisivo para a escolha do figurino: o cenário em que o Patrão aparece no filme. Carregado em tons de vermelho e ocre, o restaurante em que o personagem encontra e ameaça o Preto (foto acima) pedia uma roupa adequada à fotografia e à composição cenográfica, o que levou à escolha de uma camisa listrada em marrom e cinza, complementada por um suspensório grená, detalhe importante para a caracterização de um sujeito conservador, patriarca de uma família tradicional. Calça e sapatos não eram importantes, pois a decupagem planejada não previa qualquer plano inteiro do personagem. Abaixo, você confere o resultado final do figurino do ator Paulo Abreu nas cenas do século XXI no DIA DE PRETO:

domingo, 7 de agosto de 2011

O Figurino do Chefe

Também produzido através do apoio do RIOSHOPPING, o figurino do Chefe de Segurança foi elaborado com uma lógica ligeiramente diferente dos demais personagens. Para compor o visual do protagonista vivido por Marcelo Batista, a figurinista Karin Kulnig teve liberdade para sugerir diversos looks para a aprovação dos diretores. A roupa que Ricardo Bonaverti usa no filme, entretanto, estava brifada desde o início: um terno impecável, de preferência azul marinho, cor tradicional dos agentes que trabalham com segurança privada. Maníaco por ordem e rude por natureza, o Chefe tinha de impor respeito à primeira vista. Para isso, Karin e a assistente de produção Adriana Gaspar fecharam o apoio da Pina’s, loja de roupas sociais masculinas do RIOSHOPPING, onde Ricardo posou pela primeira vez vestido como o personagem (foto acima).

Nos pés do Chefe de Segurança, o sapato social tradicional da primeira versão foi substituído por um coturno militar de bico redondo. Isso porque, em uma das cenas, o personagem deveria ser reconhecido pelo calçado, o que faz o Preto ficar aterrorizado com a visão de um dos seus maiores perseguidores (foto acima). Assim, para caracterizar um sujeito autoritário e agressivo, nada melhor do que um dos maiores símbolos da caserna, a bota preta brutal e lustrada típica de quem está acostumado a passar por cima de tudo e de todos. Um pouco antes do personagem entrar em cena, Karin ainda apostou num último detalhe: um broche no estilo das insígnias militares (abaixo), o que conferiu ainda mais seriedade ao look de um psicótico que não hesita em utilizar as piores técnicas de tortura para alcançar seus objetivos.

sábado, 6 de agosto de 2011

O Figurino do Preto

A produção de figurino do filme DIA DE PRETO seguiu um modelo diferente do tradicional, que normalmente começa com os croquis sugeridos pela Figurinista, para depois passar à fase de produção propriamente dita, através da confecção das roupas desenhadas e a compra ou empréstimo de peças complementares. Limitada por um orçamento restrito, mas contando com o apoio dos lojistas, a figurinista Karin Kulnig passou um longo tempo da fase de pré-produção visitando as lojas do RIOSHOPPING, de forma a testar as combinações possíveis para a aprovação dos diretores. Sk8 Box, Flake, Pina’s, Orensanas e Eros & Psiquê foram algumas das marcas que forneceram peças para o figurino. No caso do Preto vivido por Marcelo Batista, Karin estudou o perfil físico e psicológico do protagonista para montar diversos looks que pudessem refletir a personalidade do personagem, como podemos ver na montagem acima.

Para calçar o Preto, também foram selecionados tênis e sandálias nas sapatarias e lojas esportivas do shopping (montagem ao lado). Na reta final, entretanto, a peça escolhida foi um tênis All Star surrado do acervo pessoal do diretor de fotografia Gustavo Nasr, que complementou a calça jeans cargo da Sk8 Box e a camiseta cinza da Hering que compõem o visual de Marcelo Batista na maior parte do filme. À exceção do tênis de Gustavo, "filho único", todo o figurino principal do Preto contava com peças sobressalentes, de forma a garantir a continuidade em mais de um ano de trabalho.

O toque final sugerido por Karin foi uma corrente grossa de um prateado fosco, retirada de uma coleira de cachorro (!) adquirida em um camelô no centro da cidade do Rio de Janeiro. Esse colar inusitado, usado pelo Preto no Século XXI, faz uma referência muito importante para a compreensão da trama, que aborda dois tempos históricos distantes, mas intrinsecamente relacionados. Abaixo, podemos conferir o resultado final do figurino, uma composição tão marcante quanto o caráter ambíguo do protagonista do filme.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A visão dos realizadores

DIA DE PRETO é uma aventura que aborda de forma engenhosa e bem humorada a realidade do negro no Brasil, retratada como um ciclo que se repete. É um filme repleto de citações, paródias e referências da cultura pop, dos quadrinhos e do cinema comercial de gêneros, mas não é um filme de gênero, nem é um filme comercial. Com poucos diálogos, a trama de DIA DE PRETO é como um quebra-cabeça invertido. A narrativa vai progressivamente se tornando surreal e fantástica conforme o espectador vai compreendendo a trama básica que motiva as ações dos personagens.

O personagem principal é um jovem negro dos dias de hoje que, ao longo da trama, descobre que sua situação remonta à história de um jovem escravo que teria vivido naquele mesmo lugar 350 anos atrás. O quebra-cabeça se completa quando o fim encontra o início e o ciclo se completa. No mesmo ponto em que começou, a aventura termina, deixando no espectador o sabor de um mistério. Serão os personagens reencarnações daqueles do passado? Teríamos feito uma incrível viagem no tempo? Seria tudo um sonho maravilhoso de um escravo atormentado? Ou será que a história não tem fim, retornando eternamente ao mesmo ponto ao longo dos séculos?

Nosso objetivo com esse filme era romper com a dicotomia entre cinema comercial e cinema de arte. Uma dicotomia que há muito determina as formulações estéticas e narrativas do cinema brasileiro. Desejávamos fazer um filme que abordasse a condição do negro na sociedade brasileira, não de forma panfletária ou moralista, mas por um prisma existencialista, focado no processo de transformação individual do personagem em meio a uma sociedade que insiste em não se transformar. O protagonista supera os obstáculos com surpreendente habilidade e consegue sobreviver às maldições que a História lança sobre ele.

DIA DE PRETO foi totalmente realizado por uma equipe pequena, com o orçamento de um curta-metragem e sem apoio oficial. Isso significa que é resultado de absoluta liberdade artística e soluções técnicas criativas. Um filme que se inscreve numa nova e vibrante geração de produções brasileiras, feitas por jovens cineastas com uso intensivo de tecnologias digitais leves, orçamentos reduzidos e visão multi-cultural. Um aperitivo daquilo que vem aparecendo como uma tendência no cinema brasileiro contemporâneo.