domingo, 14 de agosto de 2011

O Bolo e o Queijo (na íntegra)

Já está disponível na Internet a íntegra do curta-metragem O BOLO E O QUEIJO, dirigido por Marcos Felipe e Daniel Mattos. Primeira produção da DEMIAN, captado em 35mm e finalizado em 2004, o curta de 15 minutos foi exibido em mais de 30 festivais no Brasil e no mundo, conquistando prêmios de melhor filme, direção de fotografia, som, roteiro, figurino e direção de arte. Confira:



Assista também ao trailer do curta-metragem:




sábado, 13 de agosto de 2011

O Figurino do Século XVII

Produzir roupas características da época seiscentista foi o maior desafio da equipe de figurino do filme DIA DE PRETO. Partindo de uma pesquisa de arte que catalogou obras do período, como a pintura de Rembrandt acima, “O artista em seu estúdio” (de 1629), o diretor Marcial Renato e a diretora de arte e figurinista Karin Kulnig logo perceberam a dificuldade de encontrar referências precisas da região específica em que se passa o filme. Se a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – então com menos de cem anos de idade - era pouco mais do que um povoado, a planície dos onze engenhos era um rincão ainda mais distante de qualquer registro visual. Outro obstáculo, obviamente, era a restrição orçamentária definida no modelo de financiamento do projeto. Ao contrário das peças contemporâneas, as lojas do RIOSHOPPING poderiam ajudar muito pouco na composição dos personagens no século XVII.

Uma das soluções foi estender a pesquisa para obras contemporâneas que retrataram a época. Foi assim que o filme “O Novo Mundo” (2005), de Terrence Malick, se tornou uma das principais referências para a recriação do período, devido ao minucioso trabalho de reconstituição histórica desenvolvido no quarto longa-metragem do recluso realizador norte-americano. A montagem acima mostra como o figurino de Colin Farrel inspirou o traje da versão seiscentista do personagem de Deivid Araújo no DIA DE PRETO. “Moça com Brinco de Pérola” (2003) foi outra fonte para a equipe de arte, que já se inspirava na obra do pintor holandês Vermeer que deu origem ao filme de Peter Webber.

Para a confecção das roupas de época, um apoio foi decisivo. Através do contato com o cineasta Oswaldo Caldeira e a produtora Paula Martinez, os diretores Marcos Felipe e Daniel Mattos, que já tinham sido alunos de Oswaldo na UFRJ e participado da produção do longa-metragem “Tiradentes” (1999), conseguiram o empréstimo de boa parte do figurino utilizado na obra sobre o “mártir” da Independência do Brasil. Uma questão precisava ser enfrentada: as roupas do filme de Caldeira se referiam a um período posterior da nossa história, o século XVIII. Assim, a figurinista Karin Kulnig teve o trabalho de customizar as peças, ajustando os cortes e simplificando os detalhes, além de usar técnicas de tintura e envelhecimento adequadas ao look definido para a arte do DIA DE PRETO. Na montagem acima e nas fotos abaixo, podemos conferir o resultado final da composição de alguns personagens do filme.

O visual de Marcelo Batista como o primeiro escravo alforriado do Brasil.

Ravena Kulnig caracterizada como uma sinhazinha do Engenho D’Água.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Figurino da Mulher Fatal


A personagem de Vanessa Galvão no filme DIA DE PRETO é uma mulher linda, sedutora e perigosa, que envolve o Preto numa trama diabólica. Quando a personagem surge na tela, suas roupas sempre esbanjam sensualidade, como se fossem uma tentação para os homens que a cercam. Numa das cenas realizadas num cânion em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, a filha do Patrão aparece abotoando um singelo vestido branco enquanto o protagonista se banha no lago, numa insinuação óbvia para os espectadores (foto acima). Mas o destaque do figurino da personagem se dá numa loja de roupas do shopping center, quando Vanessa Galvão seduz o Preto desfilando uma série de conjuntos de lingerie.

Logo no primeiro plano na loja, a personagem surge de espartilho preto e cinta-liga (foto acima), deixando Marcelo Batista de queixo caído. A composição foi preparada pelas figurinistas Karin Kulnig e Fernanda Fabrizzi, seguindo um briefing objetivo dos diretores. Na sequência da cena, Karin teve liberdade para sugerir o conjunto de oncinha e robe (foto abaixo) que faz o Preto ficar literalmente de calça arriada, sem qualquer poder de reação. É o suficiente para a personagem concluir seu plano malicioso, deixando o protagonista numa situação extremamente delicada, num dos momentos mais importantes da trama do filme.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Figurino dos Capangas

Seguindo a mesma linha dark do Corno, chefe da gangue, os Capangas do DIA DE PRETO apresentam um visual propositadamente exagerado, como se formassem um grupo de supervilões. Calças apertadas, decotes generosos, óculos escuros e botas pesadas são algumas peças que serviram para compor o look dos personagens. Apesar de formarem um bando coeso, o figurino precisava indicar a personalidade de cada integrante: assim, um casal foi vestido de forma mais agressiva e descolada (Deivid Araújo e Naiara Hawaii, no centro da foto acima), e outro de forma mais sóbria e sofisticado (Heráclito Junior e Andrea Cassali).

Os testes de figurino foram realizados no próprio RIOSHOPPING, contando com os acervos pessoais da figurinista Karin Kulnig, da assistente de produção Adriana Gaspar e dos próprios atores. Até chegar ao resultado final, algumas composições foram experimentadas para aprovação dos diretores, como as da foto acima. No final do dia, o visual pré-escolhido (foto abaixo) já se aproximava muito do figurino definitivo, que ainda levaria algumas intervenções: o vestido de Andrea ganhou uma fenda ousada, ornamentada por um broche marcante; a blusa de Naiara foi substituída por um body de mangas compridas; Heráclito ganhou óculos escuros; e o visual de Deivid foi complementado por cordões e pingentes religiosos aparecendo por entre a camisa aberta, como um cafajeste latino.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Figurino do Corno

Guilherme Almeida vive o grande vilão no DIA DE PRETO. Sempre cercado de capangas, o personagem é um homem rico e poderoso, que está comprometido com a filha do Patrão, com quem tem negócios. Entre ele e seus objetivos, entretanto, está o Preto, amante de sua noiva e envolvido por ela no roubo de uma relíquia sagrada. Como um bom vilão de história em quadrinhos, o Corno da trama veste-se todo de negro (foto acima), assim como sua gangue do mal. Esse era o único briefing dos diretores para o visual do vilão, que deveria estar em compasso com o look de seus asseclas.

Para compor o personagem, os diretores contaram com o auxílio da figurinista Fernanda Fabrizzi, que fez as primeiras pesquisas e selecionou o casaco que Guilherme usa no filme. Posteriormente, a figurinista Karin Kulnig complementou o figurino com uma camisa de gola rolê (sugerida pelo diretor Marcos Felipe) e calça social, tudo na cor clássica dos homens maus. O detalhe final ficou por conta da bota, que apareceria com destaque num dos momentos do filme, identificando o Corno (foto acima). Quando Guilherme entrou em cena pela primeira vez, num plano no terraço, a peça ainda não estava escolhida, e nem era necessária (foto abaixo). Algum tempo depois, após mais uma colaboração de Marcos Felipe, o figurino de Guilherme estava completo.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O Figurino do ?

O personagem de Raul Ferreira no filme DIA DE PRETO habita uma toca subterrânea no shopping center, de onde só sai de madrugada, para aproveitar gratuitamente os produtos e serviços do estabelecimento enquanto as lojas estão fechadas. Ele aparece em duas cenas, com figurinos diferentes: no centro de estética do shopping, veste apenas um short azul-marinho, enquanto utiliza uma câmara de bronzeamento artificial (foto acima). Detalhe para os óculos de proteção contra raios ultra-violeta (foto abaixo), apropriados para essa máquina-símbolo da vaidade humana, cujo uso foi proibido no Brasil e em vários lugares do mundo cerca de um ano após as filmagens.

No próprio centro de estética, o estranho personagem consegue o roupão utilizado na cena seguinte, e entrega outro para o Preto, que está completamente encharcado após um mergulho involuntário numa banheira ofurô do mesmo estabelecimento. Atravessando galerias do shopping e o parque de diversões eletrônicas PlayToy, a dupla chega até a toca, vestida para momentos de relaxamento. Para compor o visual de Raul Ferreira e Marcelo Batista na cena, a figurinista Karin Kulnig recorreu apenas ao acervo da produtora, e o resultado você confere nas fotos abaixo:

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Figurino do Patrão

O personagem de Paulo Abreu é o manda-chuva da história contada no DIA DE PRETO. Dono de um restaurante no shopping center e da relíquia sagrada roubada por sua própria filha, o velho homem é o Patrão de todos que trabalham no estabelecimento, inclusive o Preto, motorista da família. Por isso, a roupa escolhida precisava dar conta dessa elegância ao mesmo tempo discreta, imponente e respeitável. Para compor o visual do personagem, a figurinista Karin Kulnig recorreu mais uma vez ao apoio da Pina’s, loja de roupas masculinas que já tinha vestido o Chefe de Segurança. Durante a pré-produção, Karin e a assistente de produção Adriana Gaspar produziram na loja algumas variações possíveis, seguindo o briefing dos diretores (montagem acima).

Dentre as combinações propostas, um fator foi decisivo para a escolha do figurino: o cenário em que o Patrão aparece no filme. Carregado em tons de vermelho e ocre, o restaurante em que o personagem encontra e ameaça o Preto (foto acima) pedia uma roupa adequada à fotografia e à composição cenográfica, o que levou à escolha de uma camisa listrada em marrom e cinza, complementada por um suspensório grená, detalhe importante para a caracterização de um sujeito conservador, patriarca de uma família tradicional. Calça e sapatos não eram importantes, pois a decupagem planejada não previa qualquer plano inteiro do personagem. Abaixo, você confere o resultado final do figurino do ator Paulo Abreu nas cenas do século XXI no DIA DE PRETO: