domingo, 7 de agosto de 2011

O Figurino do Chefe

Também produzido através do apoio do RIOSHOPPING, o figurino do Chefe de Segurança foi elaborado com uma lógica ligeiramente diferente dos demais personagens. Para compor o visual do protagonista vivido por Marcelo Batista, a figurinista Karin Kulnig teve liberdade para sugerir diversos looks para a aprovação dos diretores. A roupa que Ricardo Bonaverti usa no filme, entretanto, estava brifada desde o início: um terno impecável, de preferência azul marinho, cor tradicional dos agentes que trabalham com segurança privada. Maníaco por ordem e rude por natureza, o Chefe tinha de impor respeito à primeira vista. Para isso, Karin e a assistente de produção Adriana Gaspar fecharam o apoio da Pina’s, loja de roupas sociais masculinas do RIOSHOPPING, onde Ricardo posou pela primeira vez vestido como o personagem (foto acima).

Nos pés do Chefe de Segurança, o sapato social tradicional da primeira versão foi substituído por um coturno militar de bico redondo. Isso porque, em uma das cenas, o personagem deveria ser reconhecido pelo calçado, o que faz o Preto ficar aterrorizado com a visão de um dos seus maiores perseguidores (foto acima). Assim, para caracterizar um sujeito autoritário e agressivo, nada melhor do que um dos maiores símbolos da caserna, a bota preta brutal e lustrada típica de quem está acostumado a passar por cima de tudo e de todos. Um pouco antes do personagem entrar em cena, Karin ainda apostou num último detalhe: um broche no estilo das insígnias militares (abaixo), o que conferiu ainda mais seriedade ao look de um psicótico que não hesita em utilizar as piores técnicas de tortura para alcançar seus objetivos.

sábado, 6 de agosto de 2011

O Figurino do Preto

A produção de figurino do filme DIA DE PRETO seguiu um modelo diferente do tradicional, que normalmente começa com os croquis sugeridos pela Figurinista, para depois passar à fase de produção propriamente dita, através da confecção das roupas desenhadas e a compra ou empréstimo de peças complementares. Limitada por um orçamento restrito, mas contando com o apoio dos lojistas, a figurinista Karin Kulnig passou um longo tempo da fase de pré-produção visitando as lojas do RIOSHOPPING, de forma a testar as combinações possíveis para a aprovação dos diretores. Sk8 Box, Flake, Pina’s, Orensanas e Eros & Psiquê foram algumas das marcas que forneceram peças para o figurino. No caso do Preto vivido por Marcelo Batista, Karin estudou o perfil físico e psicológico do protagonista para montar diversos looks que pudessem refletir a personalidade do personagem, como podemos ver na montagem acima.

Para calçar o Preto, também foram selecionados tênis e sandálias nas sapatarias e lojas esportivas do shopping (montagem ao lado). Na reta final, entretanto, a peça escolhida foi um tênis All Star surrado do acervo pessoal do diretor de fotografia Gustavo Nasr, que complementou a calça jeans cargo da Sk8 Box e a camiseta cinza da Hering que compõem o visual de Marcelo Batista na maior parte do filme. À exceção do tênis de Gustavo, "filho único", todo o figurino principal do Preto contava com peças sobressalentes, de forma a garantir a continuidade em mais de um ano de trabalho.

O toque final sugerido por Karin foi uma corrente grossa de um prateado fosco, retirada de uma coleira de cachorro (!) adquirida em um camelô no centro da cidade do Rio de Janeiro. Esse colar inusitado, usado pelo Preto no Século XXI, faz uma referência muito importante para a compreensão da trama, que aborda dois tempos históricos distantes, mas intrinsecamente relacionados. Abaixo, podemos conferir o resultado final do figurino, uma composição tão marcante quanto o caráter ambíguo do protagonista do filme.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A visão dos realizadores

DIA DE PRETO é uma aventura que aborda de forma engenhosa e bem humorada a realidade do negro no Brasil, retratada como um ciclo que se repete. É um filme repleto de citações, paródias e referências da cultura pop, dos quadrinhos e do cinema comercial de gêneros, mas não é um filme de gênero, nem é um filme comercial. Com poucos diálogos, a trama de DIA DE PRETO é como um quebra-cabeça invertido. A narrativa vai progressivamente se tornando surreal e fantástica conforme o espectador vai compreendendo a trama básica que motiva as ações dos personagens.

O personagem principal é um jovem negro dos dias de hoje que, ao longo da trama, descobre que sua situação remonta à história de um jovem escravo que teria vivido naquele mesmo lugar 350 anos atrás. O quebra-cabeça se completa quando o fim encontra o início e o ciclo se completa. No mesmo ponto em que começou, a aventura termina, deixando no espectador o sabor de um mistério. Serão os personagens reencarnações daqueles do passado? Teríamos feito uma incrível viagem no tempo? Seria tudo um sonho maravilhoso de um escravo atormentado? Ou será que a história não tem fim, retornando eternamente ao mesmo ponto ao longo dos séculos?

Nosso objetivo com esse filme era romper com a dicotomia entre cinema comercial e cinema de arte. Uma dicotomia que há muito determina as formulações estéticas e narrativas do cinema brasileiro. Desejávamos fazer um filme que abordasse a condição do negro na sociedade brasileira, não de forma panfletária ou moralista, mas por um prisma existencialista, focado no processo de transformação individual do personagem em meio a uma sociedade que insiste em não se transformar. O protagonista supera os obstáculos com surpreendente habilidade e consegue sobreviver às maldições que a História lança sobre ele.

DIA DE PRETO foi totalmente realizado por uma equipe pequena, com o orçamento de um curta-metragem e sem apoio oficial. Isso significa que é resultado de absoluta liberdade artística e soluções técnicas criativas. Um filme que se inscreve numa nova e vibrante geração de produções brasileiras, feitas por jovens cineastas com uso intensivo de tecnologias digitais leves, orçamentos reduzidos e visão multi-cultural. Um aperitivo daquilo que vem aparecendo como uma tendência no cinema brasileiro contemporâneo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A escolha dos Capangas

A gangue sinistra do filme DIA DE PRETO foi idealizada como uma paródia dos vilões clássicos do cinema, obviamente vestidos de negro e sempre com uma expressão fria e ameaçadora no rosto. Para interpretar os capangas, foram selecionados atores com o perfil desejado, de maneiras diversas. Inicialmente, o primeiro tratamento do roteiro previa apenas três homens, e o primeiro escolhido foi Heráclito Junior, na foto acima com seu companheiro de cena Deivid Araújo, fazendo a cara de mau típica dos personagens.

Na gravação do “monstro” do filme (no qual a equipe de pré-produção atuou como os personagens), um dos capangas teve de ser interpretado pela assistente de produção Adriana Gaspar (imagem acima, numa cena do “monstro”). Inspirados pelo resultado, os diretores decidiram que um dos capangas deveria ser uma mulher. Posteriormente, um acordo com o RIOSHOPPING definiu que os vencedores do concurso “Miss e Mister Jacarepaguá 2006”, organizado pelo shopping - e que teve o diretor Marcial Renato como um dos jurados - teriam uma participação no filme. Assim, Andrea Cassali e Deivid Araújo, ganhadores do título naquele ano, foram escalados para completar a gangue.

Já na fase de ensaios, a ideia evoluiu para a concepção de dois casais de capangas. Indicada pela caracterizadora Kris Kulnig, a atriz Naiara Hawaii (na foto acima entre a assistente de produção Renata Alves e a outra capanga, Andrea Cassali) se juntou ao grupo, fechando o casting da turma que persegue o personagem principal do filme durante todo o DIA DE PRETO.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O apoio dos lojistas

Um dos fatores mais importantes para a realização do filme DIA DE PRETO foi o apoio dos lojistas do RIOSHOPPING. Além das peças de figurino e cenografia, o empréstimo de karts de corrida, serviços de cabeleireiro e o fornecimento da alimentação para a produção, a equipe do shopping também foi uma companhia importante nas longas jornadas de trabalho. Na foto acima, o diretor Marcial Renato e a diretora de arte e figurinista Karin Kulnig posam com Rubem e Lia, responsáveis pelo restaurante Tacacá, que visitavam o set para a entrega do lanche da madrugada.

De forma geral, os funcionários e lojistas adotaram a produção do filme com muito carinho, torcendo pela realização e acompanhando de perto os trabalhos. Nos finais de semana, a lanchonete Cantinho de Passa Quatro permanecia aberta até altas horas, e muitas vezes “salvou” a gula da produção com doces e salgados mineiros, especialidade da casa. Na foto acima, o responsável pelo estabelecimento, Glauco, posa atrás do balcão com os proprietários da loja Sk8 Box, que também forneceu peças de figurino para os personagens. Dias de muito trabalho, mas que deixaram saudades em toda a equipe.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A gravação do making of

Na festa da primeira exibição do DIA DE PRETO, a produção montou um pequeno set para gravar os depoimentos da equipe e do elenco sobre a participação no projeto e as expectativas em relação ao filme. Na foto acima, Marcelo Batista dá uma entrevista para as câmeras operadas pelo assistente de direção Marcos Herdade e pelo assistente de câmera Leandro Mathiello, observados pela diretora de arte e figurinista Karin Kulnig. Os depoimentos serão utilizados para a edição do making of oficial do longa-metragem.

Nos depoimentos da equipe, quem arrancou risadas foi o diretor Daniel Mattos (na foto acima com o ator Raul Ferreira), ao afirmar que o filme tinha superado todas as suas expectativas, uma vez que ele não tinha qualquer expectativa antes de começar o projeto... Já os diretores Marcial Renato e Marcos Felipe destacaram a importância daquela primeira exibição, ressaltando que suas maiores expectativas estavam relacionadas à platéia do evento. Para eles, a avaliação dos profissionais que tornaram possível a conclusão da obra era o maior objetivo do encontro.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Suspense, gargalhadas e satisfação geral

Durante uma hora e meia, todos os olhares estavam concentrados na tela, onde o DIA DE PRETO fazia o seu début fora da ilha de edição. Vez ou outra, os momentos de tensão e suspense do filme davam lugar a risadas, que se tornaram gargalhadas abertas nas cenas mais bem humoradas. Ansiosos para conferir a atuação de cada um, o elenco só conseguiu relaxar no fim da sessão. Satisfeitos com o resultado do trabalho coletivo, Marcelo Batista e Naiara Hawaii posam após a exibição (foto), curtindo a festa organizada pela produção.

Acima, o diretor Marcial Renato posa ao lado de Heráclito Junior, o anfitrião da festa, realizada no bairro do Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Amigos de infância, Marcial e Heráclito cuidaram dos detalhes da noite, de forma que todos pudessem apreciar o filme e celebrar um momento bastante aguardado, numa festa exclusiva para a equipe e o elenco.